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Sobre Arte

 

L'Étoile ou danseuse sur scène

 

Impressão, luz do Sol

 

The Scream 1893

 

Demoiselles d’Avignon

 

Les Grandes Baigneuses

 

Déjeuner Sur I'herbe

 

Bathers - 1902

 

Grand Canal de Veneza

 

 

OS IMPRESSIONISTAS

Carlos P. Marques,
Prof.º de História
caomarques@hotmail.com

A Revolução Industrial foi ao mesmo tempo causa e conseqüência de um surto de desenvolvimento tecnológico e descobertas científicas que mudaram o panorama europeu rapidamente. A segunda metade do século XIX, época que nos interessa no momento, foi revolucionária em vários sentidos. O veloz desenvolvimento da indústria gerou um enorme crescimento de grandes cidades. Invenções como a eletricidade tornaram as comunicações mais rápidas, assim como o transporte com o navio à vapor, o automóvel e o trem. Diversos inventos maravilhavam a população, entre os quais a fotografia que iria desempenhar um papel relevante no desenvolvimento da pintura em, pelo menos, dois aspectos: foi decisiva na ruptura com a perspectiva renascentista e no desprestígio do tema na pintura. Estas e outras transformações revolucionárias na arte foram levadas à cabo por um grupo de pintores que os historiadores da arte chamam “Impressionistas”, ainda que não tenha sido sempre um grupo coeso e que alguns tenham seguido caminhos independentes. Com esse nome, talvez, nos referimos mais ao período (final do séc. XIX) do que ao movimento ocorrido principalmente em Paris, então a capital artística da Europa.

A técnica da perspectiva foi matematicamente estabelecida no séc. XV, tendo o arquiteto Brunelleschi (1337-1446), construtor da cúpula da catedral de Florença, papel decisivo nessa descoberta. Após sua divulgação em livro por Allberti (1452) obteve rápida e larga aceitação entre artistas e público apreciador da arte. Esta técnica consiste em produzir a ilusão de profundidade utilizando o “ponto de fuga”, em que a pintura é vista de um único ponto de vista. Isto se deve ao fato de que reproduz uma visão monocular, semelhante a que temos ao olhar por um buraco de fechadura ou uma câmara escura, com na fotografia. Ou seja, trata-se de uma convenção óptica ou um realismo convencional. Os artistas perceberam que nossos olhos, com visão binocular, não vêem as coisas assim e passaram a procurar novas maneiras de representar espaço, volume, profundidade, luz, sombra, etc. Historiadores da arte consideram como ruptura final com a perspectiva renascentista o quadro de Picasso, “Les Demoiselles d’Avignon” (1910) e o Cubismo.

A fotografia interferiu no papel do tema em pintura absorvendo pouco a pouco funções que pertenciam à pintura como o retrato, por exemplo. E vendo a inutilidade de competir com a fotografia em reproduzir a realidade, os artistas sentiram a necessidade de buscar novos temas e novos caminhos para a arte.

Os Impressionistas, pelos motivos que acabamos de relacionar (e por outros) passaram a buscar inspiração para sua arte longe dos estúdios e sua luz artificial. Assim dedicaram-se à pintura ao ar livre (Plen Air) e onde a luz, o ar, as cores eram tudo. O tema ou o modelo não significava nada. Tanto fazia pintar um rei como batatas. L’art pour l’art – arte para os artistas, arte pela arte – proclamavam. Foi quando finalmente entendi o motivo pelo qual se pinta uma natureza-morta: o tema não importa, mas a técnica, o arranjo, as cores, os volumes, o brilho, etc.

Esses artistas que estavam realizando revoluções na arte tiveram um início nada promissor. Depois estariam para sempre entre os campeões mundiais da popularidade em arte. De tanto serem rejeitados nos austeros salões organizados pela Academia de Arte, onde os críticos ditavam o que era e o que não era arte digna de ser exposta nos grandes museus e exposições, artistas como Monet, Manet, Cézanne (entre vários outros) organizaram o que foi chamado de “Salão dos Recusados” (1874), título visivelmente pejorativo. De fato, nesta exposição realizada no “Boulevard des Capucines” no estúdio do fotógrafo Nadar, seguidor e apoiador do grupo, o público e a crítica compareceram para escarnecer das obras e de seus autores, para rir dos quadros e ridicularizar os pintores. A crítica especializada foi impiedosa. Ouçam o que se disse de Cézanne: “O senhor Cézanne não pode ser outra coisa a não ser uma espécie de louco a sofrer de delirium tremens quando pinta.” E sobre todos eles: “alienados, doentes da loucura da ambição”. Aliás, um dos críticos mais ferozes e que achou o título de um quadro de Monet particularmente ridículo, só entrou para a história ao batizar o grupo desdenhosamente de “impressionistas”. Trata-se do quadro “Impressão, Sol Nascente” o qual o tal crítico assim classificou: “o papel pintado em estado embrionário está mais acabado do que esta marina”. Depois o termo pejorativo foi adotado pelo grupo e passou aos livros de história da arte.

Gênios revolucionários da arte. Não se pode dizer menos desses homens. Cézanne (1839-1906), que se retirou desgostoso com a rejeição para criar uma arte “sólida e duradoura” tornando-se o precursor do Cubismo e o “Colombo da pintura moderna”. Manet (1832-1883) interessado em jogos de luz e sombra com fortes contrastes provocando protestos entre os conservadores. Monet (1840-1926) o pintor da luz e da cor e suas rápidas pinceladas. Van Gogh (1853-1890) que perdeu a sanidade e a vida para iniciar uma revolução artística. Gauguin (1848-1903) que se arruinou-se desenvolvendo sua arte entre os nativos de ilhas exóticas. Degas (1834-1917) em suas adoráveis bailarinas em ângulos inusitados. Renoir (1841-1919) e seu extraordinário talento no uso das cores. Toulouse Lautrec (1864-1901) e o movimento das bailarinas e o can can. E Pisarro, Seurat, Sisley...

Pode-se passar horas, anos, ou mesmo uma vida inteira - Ars longa, Vita brevis...- só admirando as obras do período dos Impressionistas mesmo que seja em reproduções baratas. Falar nisso, muito boa a idéia da Folha de São Paulo e os “Grandes Mestres da Pintura”.

Para encerrar devo dizer que na minha família o espírito ARTE PARA TODOS já tem rendido bons frutos. Já circulam livros de arte e algumas idéias, obras e pintores são discutidos. E minha mãe com sua crítica ácida continua detonando quantos mestres da pintura cruzem seu caminho. Outro dia ela punha a mesa para o almoço e sobre esta estava um livro de arte com “La Gioconda” estampada na capa. Falávamos sobre seu sorriso quando minha mãe saiu-se com esta: - Esta Mona Lisa e essa boquinha de quem comeu e não gostou! Não é demais? Arte Para Todos!!! Até a próxima!